manual de instruções

Saturday, August 05, 2006

Levanta-te e Chora

Vós, caros compadres de desterro, decerto haveis já reparado que essa infâmia televisiva entre nós conhecida por Levanta-te e Ri, chegou na passada segunda-feira ao fim (não me perguntem o dia e a hora que eu sou péssimo pa essas merdas).
Recorrendo-me agora do banal regsito de língua popular/corrente com que esses senhores (atarracados, sem pescoço e sem categoria) nos presentearam semana após semana, fazendo-no alternar entre o "oh meu deus!" e o sufoco em gargalhadas compulsivas.
E porquê? Perguntem todos aí em casa: PORQUÊ?! Porquê estarei eu aqui a divagar sobre esse malfadado programa insultado pelos puritanos e sábios comediantes dos Malucos do Riso e rebaixado pelo JetSet tortuguês? Se calhar por isso mesmo. Se calhar por ter sido diferente do Herman e dos seus tiques homossexuais que já não passam despercebidos a ninguém, do humor rasca de Malucos, Batanetes, Prédio do Vasco, Revista entre (infelizes) bastantes outros, por se ter virado para um público diferente. Por ter chamado gente diferente para fazer algo que não se fazia. Porque aquele Horácio era genial. Porque o Bruno Nogueira foi lá que apareceu, e a minha visão do mundo seria bastante mais cinzenta sem a influência destes dois senhores. Porque foi o Levanta-te e Ri que deu uma maior visibilidade a projectos como Gato Fedorento, Cabaré da Cocha, Homem que Mordeu o Cão, que de programas dedicado a tribos passaram a ser procurados pelo grande público que percebeu que não tinha de ser cultural e obrigatoriamente burro. Muitos se lançaram com a stand-up e graças a ela uma onda ar fresco rejuvenesceu o país e o país, esse ganda maluco, suspirou de alívio.
Eu pelo menos não consigo conceber a minha retorcida adolescência sem "puta que pariu é pó bujão", sem piadas sobre pescoços inexistentes, sobre o "senhor do bolo", sem um gajo que anunciava a sua chegada de braga com histórias do mais rebuscadamente divertido que alguma ouvi, sem teorias sobre a origem motoqueira de Jesus Cristo, sem fados manhosos nem "yestermaines", e sem muitos outros mitos, igualmente marcantes áquelas expressões que o Gato Fedorento celebrizou.
Mas tudo morre.
Até a comédia morre.
Bruno Nogueira fartou-se de ser visto como o arauto de uma arte menor e abandonou a guerra. Já nessa altura proliferavam os Serafins e afins e imitações baratas, que minavam o programa por dentro, visando a sua aniquilação total. Fernando Rocha era mais um bibelô bizarro que havia lá em casa. Ricardo de Araújo Pereira desaparecera. Nilton só tinha olhos para a K7. Aldo Lima brutalmente desinsipirado. E quando a única coisa que nos deixava esperançados quanto a um futuro melhor era a confiança cega daquele homem de blazer negro e nome esquesito, eis que ele, O Horácio também fechou a porta. O país tremeu. Quem correria os teatros? Quem lançaria piadas secas como um jogador de futebol? Quem cantaria foleirices? O que seria do país sem o Horácio, agora que ele era a sua única razão de viver?
Da indignação ao boicote foi um salto. Ninguém queria o Levanta-te e Ri. Era como se de uma namorada-que-não-nos-contou-toda-a-verdade-acerca-dela se tratasse. Horácio o Desejado não teve outro remédio senão voltar perante os apupos da turbe em fúria.
E assim o espírito não morreu de imediato. A vontade de não o deixar morrer, e não a vontade de viver, foi o que o manteu vivo. Até Rocha parecia renovado. Mas já tudo era notória e incontornavelmente diferente. Nada, nem teatros cheios, nem piadas foleiras, nem críticas exacerbadas (que na verdade já ninguém lhe fazia) poderia salvar o Lévante et Galhofe. A morte lenta era o caminho e o destino.
Por isso é com honesta melancolia que vejo o Levanta-te e Ri acabar. A qualidade faltava é certo, e eu já mal o via, mas aquele foi O programa. Aquele que me fez aturar o Serafim a contar histórias alentejanas só para ouvir o João Seabra fazer teorias sobre cagalhotos. Foi o programa aonde vi o Bruno Nogueira com aquela sua expressão imperturbavelmente séria a dizer mal do Castelo Branco. Foi lá que pela primeira vez que ouvi falar de Ricardo de Araújo Pereira, o tal dos Gato. E o Horácio... essa lição de vida que é Marco Horácio.
Tudo morre. Tudo o que é bom, morre. Mais tarde ou mais cedo. Pena ter morrido assim.
Já nada será o mesmo.
O país ficou sem dúvida mais pobre

Saturday, May 06, 2006

V

São pequenas bombas que nos fragmentam a razão dual e complexa. A tal que divide o que somos em infindáveis possibilidades de caminhos. Mas não será por acaso, pois sabemos que pouco ou nada a ele se deve, que uma simples marca nos consiga deixar tão claramente cientes da nossa visão. Tendo-a desde que nascemos, estando como que predestinada a sua existência, determinada no momento em que também a nossa própria o foi, só a nós compete o uso que lhe daremos e àquilo que fecharemos os olhos, se assim aprouvermos. Por isso a nossa chave está no passado, uma chave que abrirá o futuro e só nesse momento efémero de abertura perceberemos que um sem o outro nada são: só existe chave se houver uma porta, sem chave a porta seria uma parede. Torna-se essencial redescobrir o nosso local de partida e reconhecer um certo número de limitações a prender-nos os passos neste momento devido à falta de humildade em assumir os passos dados antes de nós, ou os passos que demos e que tão erradamente julgamos errados. Se tudo não passou de uma caminhada para este momento que presenciamos à nossa frente. Todos os passos têm a sua importância nem que seja pela sua simples renegação. Por vezes torna-se óbvio que já de nada adianta simular a nossa indiferença quanto ao nosso papel, sim porque ele existe, em tudo isto. Porque nós, para todos os efeitos, somos os únicos responsáveis pelo todo que nos envolve, por este edifício horrendo que nos oprime com o seu peso. Não importa que tenha sido obra começada antes de nós, mas convém sabê-lo para que saibamos se tal obra será perpetuada ou renegada e subsequentemente demolida. Há edifícios podres que caem. Há prédios novos que ruem. Há casas antigas que se reconstroem. De nada serve dizer que o que foi ontem, nada foi. De nada adianta dizer que hoje será o que foi ontem, pois tal nunca mais voltará a ser. Só faz sentido uma porta se existir uma chave. Convém-nos reconhecer, afirmar, bramir e sentirmo-nos completos no corpo feito de medido para nós e com ele fazer algo que nunca antes alguém se ousara a ensinar-nos. Ao caminharmos, pondo em cada passo uma parte da força do objectivo a que nos obrigamos, saberemos se estamos ou não a caminhar a passos largos para a morte, desiludindo tudo e todos que nos foram dando crédito. A razão e os sentimentos sempre arranjam forma de se meterem de permeio. Sentir faz por inerência parte do caminho. A algo temos de nos ligar, e só esse algo poderemos verdadeiramente sentir. A vibrar por entre cada pulsada de sangue. Entre cada flectir de dedos. Entre cada golfada de ar a atacar-nos os pulmões. Sentir é essencial à nossa empresa. Talvez sem isso tudo seria insuportavelmente supérfluo. Julgamos saber até que ponto a última palavra não foi dita. Que ainda haverá uma voz para contra-argumentar. Que ainda haverá alguém em pé. E esse alguém saberá que não se levantou sozinho nem em vão. De origem semelhante, tantas atitudes semelhantes não se podem limitar à coincidência. Se é em especial o meu semelhante que de pé se ergue ao meu lado. O caos pode ser como qualquer outra, uma arma temível. Cada um sabe melhor que qualquer outro como quer ser recordado. E que ao fundo de túnel tão negro haja uma esperança e no céu se possa desenhar um V de vitória. Porque de outra forma, nada disto teria sentido.


QT

Friday, April 14, 2006

10 Pecados Mortais

Ao que parece esses grandes malucos dos Vatiquenses quiseram dar mostras que não andam tão atrasados como o resto do mundo infiel os pinta. Quando se desconfiava que lá para os lados da Basílica de S. Pedro se soubesse o que era uma roda, eles aparecem com o Papamóbil (que para quem não sabe é o veículo topo de gama no qual o Papa patrulha o crime de Vatican City). Quando ninguém acreditava que os cardeais tivessem ainda descoberto o fogo, eles apareceram com o fumo branco e o fumo negro (estando neste momento já a ser preparado merchandising de fumos multicoloridos e com sabores a menta).
Mas agora o Vaticano que é verdadeiramente capaz de inovar. Quebrou todas as barreiras do bom senso e revelou uma mentalidade radical e ousada que até agora se lhe desconhecia. A pergunta era óbvia: se os mandamentos da lei de Deus eram 10 porque haviam os pecados de ser só 7? Porque não acrescentar mais 3 pecados e ficarem a nível de igualdade os mandamentos e os pecados? Assim até é mais fácil para as crianças da catequese decorá-los. São sempre 10! A Igreja pode até reconsiderar em mudar todos os números de Deus para 10. 40 dias de Quaresma? Não:10. Cristo ressuscita 3 (que na verdade são só2) dias depois da Crucifiação? Não:10. O Natal é no dia 25? Não:10. Cristo morreu há 2006 anos? Não:foi somente à 10!
E perguntam vocês quais são esses benditos pecados? Esses tais que escaparam ao olho atento e vigilante dos bonscostumes cristãos da Igreja? A resposta era óbvia para Bento XVI e seus comparsas, o mal que atormenta o mundo católico à séculos de uma forma tão cruel que nem os romanos superaram: os jornais, a televisão e a internet. É verdade. Perguntam-se vocês pecadores como tão óbvia questão passou impune aos olhos de gerações e gerações de cristãos devotos, mas é esta a verdade. Fala-se inclusive numa sequela do filme de culto "Se7en" chamada "10en" em que o assassino (ressuscitado 10 dias depois do brad pitt em ira o ter morto) acrescenta á sua lista de homicidios originais um homem morto com um olho enfiado no teclado, ontro entalado com um telecomando e outro ainda que usava um jornal para fins higiénicos na casa de banho, quando a secção de anúncios lhe entrou subitamente pelo anus acima.
E agora nós como bons cristãos que somos deveremos dizer em confissão todaas as vezes em que imbuidos do espírito ímpio do diabo vimos tv, lemos um jornal ou navegamos na net. Tal atentado à vontade divina tem de ser eliminado dos nossos corações pecaminosos se queremos entrar no Reino dos Céus, já que o tempo perdido com eles pode ser muito bem passado a ler as Sagradas Escrituras, que de resto podem desempenhar um papel tão bom a nível de difusão de notícias como qualquer media ou ainda melhor!

God bless we all! Finalmente foi encontrada a solução para a salvação da Igreja e o seu rejuvenescimento!


Saudações pecamniosamente amigáveis
QT

Sunday, April 09, 2006

Queres que te regue, minha Flor?

Esta semana passada tive suores frios... Passei um mau bocado, confesso, mas felizmente a
paz universal e o equilibrio cósmico afinal vão manter-se, tenho a certeza, porque a Floribela conseguiu encontrar a sapatilha da sorte... Não que eu alguma vez tenha duvidado do poder das Fadas do Vento e do Sol, não me interpretem mal... Mas as nozes da sorte não trabalham bem sem as sapatilhas da sorte por perto...

Como todos nós portuguese tivemos a sorte de poder presenciar, a Floribela finalmente encontrou o seu príncipe encantado! E que borracho... Pronto, ok pode não ser o gajo mais bonito do mundo, mas ao menos é simpático... E tem boas intenções... É daquelas pessoas abençoadas que apesar de podres de ricas e o caraças são muito humildes e tal...

Mas juro-vos, quando a miúda foi posta na cadeia, ainda por cima sem culpa nenhuma eu ia perdendo a minha confiança na justiça galáctica! Ainda bem que o rapaz lá admitiu que errou, só
esteve mal depois quando a tentou recompensar com dinheiro... MAS QUEM É QUE ELE PENSA QUE ELA É!? Dinheiro? P'raqu'é qu'ele acha que uma miúda tão rica por dentro precisa de dinheiro?

A banda é que anda mal... Nem com metade dos gajos dos Ídolos eles vão lá! Ainda não perceberam que percisam mesmo da Flôr para conseguirem um contacto discográfico. Se calhar umas cunhas também ajudavam... Isso e tocarem a sério... E já agora mais de um ano de concertos...
Oh, mas o que é que estou praqui a dizer, hoje em dia o sucesso D'ZRt mostrou que tudo é
ainda possível, neste país, Portugal... Agora sim, sinto que o Zé Cabra está mais que esquecido e
foi deitado para trás das costas... Agora sim, podemos assumir que é mesmo a música que vai contar, e não apenas o mediatismo/piada-recambolesca/aspecto da banda/cantor/cena-esquisita-que-nem-é-uma-cena-nem-outra...

Assim sendo a Floribela vai mesmo ter sucesso... Caraças, agora vou mesmo para a cama mais sossegado...


P.S. - Não sei se repararam mas deixei de dizer palavrões com tanta frequência... O que acontece é que quando estou chateado e me apetece mandar alguém foder já não me levam a sério... A banalização do palavrão no norte do país esta a fazer com que o insulto e a boa tradição da porrada de tasco se perca... vamos utar para que isso não aconteça, parando de dizer palavrões... C'ua breca!

Monday, March 06, 2006

O País da Brincadeira

Fez 5 anos que caiu a ponte de Entre-os-Rios.
Desde já aproveito para mostrar aqui os meus pesames...

E agora vamos ao que interessa. Muito antes de se saber que andavam meninos a levar forte e feio por tudo quanto era lado na Casa Pia, os nossos tão conceituados media portugueses divertiam-se a mostrar a desgraça das famigeradas (palavra bonita né?) famílias das vítimas, uma boa parte delas de Castelo de Paiva, se a memória não me falha. Foi sempre a acertar nas cabeças dos coitados, mas o zé povo gostou, o resto são merdas! Muito melhor que um Big Brother onde se percebe que os palhaços querem saltar pa cima da Micas de Alenquer, ou expulsar da casa e quiçá do grupo o Antunes de Mafra. Voltando à questão: agora que a poeira assentou, e depois de o sumo da desgraça ter sido sugado até ao tutano, 5 anos depois fica-se a saber que vão começar agora os julgamentos... Que novidade do caralho que eu estou a dar... A lenta Justiça portuguesa... Enfim, vidas!
Mas o que não deixa de ser curioso é que a vida em Castelo de Paiva melhorou. Existem agora duas pontes novíssimas em Entre os Rios (claro que se se continuar com extracções ilegais de areia também vão ir pelo abaixo, mas isso agora são outras guerras), estradas melhoradas, casas e escolas reformadas e com bom aspecto... É caso para dizer: foda-se! Viva o luxo! Foi preciso cair uma ponte, um autocarro mergulhar no rio e morrerem perto de 60 pessoas para isto tudo acontecer... Quer dizer que se começar a cair uma ponte por dia Portugal ainda se torna uma superpotência! Até podíamos ser pioneiros a nível mundial criando faculdades de demolidores acientais de pontes e mergulhos acrobáticos de autocarros, e exportar os nossos técnicos de topo para os países de 3º mundo beneficiarem igualmente das nossas descobertas inovadoras.
Melhor! Se os suspeitos, réus ou lá a puta que os pariu ainda vão ser julgados, quem é que deu o dinheiro? O Zé Povo! Como é óbvio. Solidariedade. Coisa bonita de se ver, mas só enquanto o assunto está na baila, porque depois... E claro que enquanto não há urgência na ajuda às famílias os tribunais também não vão ter muita pressa em "autuar" a senhora dona Junta Autónoma de Estradas pois não?
É o país da brincadeira já dizia o outro...

Saudações Amigáveis
QT

Friday, February 17, 2006

Até Quando?

"Até Quando?" - Gabriel o Pensador

"Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você e pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Não quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante!
É tudo flagrante!

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem q'eu seja educado, q'eu ande arrumado q'eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é mundo que me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola,
Favela, cadeia
Sem terra, se enterra
Sem renda, se renda...
Não, não!

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?"




ora aqui está a letra de uma música, que eu no meu espírito de serviço público me senti no dever de divulgar. Acho que tem uma mensagem quiçá interessante.
Saudações amigáveis
QT

Thursday, February 09, 2006

McCaralho...

Hoje parei para reflectir... Como sempre faço na hora do almoço, mas desta vez sobre um facto que nunca me debrucei antes.
Acontece que hoje apetecia-me comer merda. O que é que fiz? Fui ao McDonalds... "Ah e tal, mas esses gajos são uns capitalistas e o camandro..." Se fores do tipo de pessoa que pensou isso quando eu falei em McDonalds então continua a ler... Este texto é para ti.

Fui ao McDonalds e pedi o meu menu com a dextreza de alguém que é cliente da casa. Fui servido depressa como é costume e então peguei no tabuleiro e virei-me para me dirigir à mesa... Dou dois passos e é então que (tragédia!) o copo de Ice Tea (os gajos que estavam aqui a torcer para que fosse Coca-Cola desanimam) desiquilibra-se e cai do tabuleiro com estrondo no chão. Começa a jorrar e eu baixo-me depressa para o endireitar e impedir que vira ainda mais líquido no chão. Estou a virar-me para voltar ao balcão para pedir outra bebida quando vem muito depressa do McDonalds uma gaja (não era daquelas que servem ao balcão, estava vestida de uma maneira diferente, deve ter um posto mais alto ou assim) que pega logo no copo (eu estava com um tabuleiro e a minha pasta numa só mão, e a ver-me à rasca) e o leva para deitar ao lixo. Viro-me, dirijo-me ao balcão e peço outro Ice Tea e quando vou a pagar a menina da caixa sorri e diz "muito obrigado, mas é oferta".

Recapitulando, eu deixo cair um copo grande de bebida fora do McDonalds. A gaja vem a correr de dentro e pega logo no copo para me ajudar, e quando paço outra bebida e estendo a nota para pagar a gaja da caixa recusa, sorri e agradece.

Um acontecimento tão simples e que me disse tanto. E pensar que na minha tardia adolescência me recusei a comer no McDonalds porque era uma multinacional e faziam muito dinheiro e mais não sei o que... Não paro de pensar em todas as vezes que fui atendido noutros locais por gajos com cara de revoltados e que respondem mal... Não páro de pensar nas vezes em que passei na rua por jovens de olhar cabisbaixo, calças rasgadas, allstars nos pés, boné com uma estrela vermelha e mochila do Che Guevara (revejo-me, adolescente revoltado, neles)... A cara de revolta, de gente a quem a sociedade não pára de fazer mal é característica de todos eles... A cara de "classe trabalhadora a quem vocês ricos devem tudo e que continuam a escravizar neste pais de merda que só nos fode" é uma constante....

Comunismo perdido em si mesmo, preso a política e obcecado com dinheiro e trabalho e dinheiro e trabalho e com os capitalistas e com a guerra pelo petróleo e as multinacionais... É isto que falta aos esquerdistas... Sorriso na cara... Sai um McSimpatia para as mesas da esquerda...
Proletáriado mal encaradão, aprendei com a humildade de um restaurante de fast food...


Rahzark